Sustentabilidade Corporativa

Gestão Ambiental: 10 Passos Para Começar do Jeito Certo.

em
16/07/2019

Muitas empresas estão desperdiçando grandes oportunidades de melhoria da sua governança e até mesmo de criação de diferenciais competitivos, simplesmente porque ainda não entenderam como as boas práticas de gestão ambiental podem fazer isso por elas.

Bem, talvez esta tenha sido uma forma um pouco dura para começar este artigo, mas a verdade é que não são poucos os gestores que ainda veem a gestão ambiental como uma obrigação para tão somente estarem em dia com leis ambientais.

Entretanto, o que eu irei demonstrar a seguir é que gestão ambiental não se trata apenas de estar em conformidade com a legislação ambiental e que, na verdade, está mais relacionada à forma (e profundidade) como as empresas incorporam importantes questões socioambientais ao seu core business.

O que acontece na prática é que as organizações genuinamente sustentáveis, além de se relacionarem com o meio ambiente de forma mais responsável e ética, aprendem a utilizar os recursos naturais de um jeito mais eficiente, a diminuir seus custos operacionais, aperfeiçoar a sua gestão de riscos e inovar, criando novas vantagens competitivas.

Em outras palavras, quando as empresas atuam de maneira consciente pelo bem-estar das pessoas e pela proteção do meio ambiente, invariavelmente acabam desbravando novos caminhos para o crescimento do negócio.

É verdade que muitas empresas têm aderido a práticas mais sustentáveis como resposta a pressões dos governos, da sociedade ou porque precisam atender a requisitos socioambientais para participarem de certas cadeias de suprimento.

Porém, cada vez mais surgem empresas que, desde a sua fundação, trazem a sustentabilidade em seu DNA, refletindo os ideais de seus fundadores e demonstrando uma especial capacidade para competir de maneira ambientalmente responsável.

Por exemplo, é o caso da marca Reserva, fundada pelos sócios Rony Meisler e Fernando Sigal, lideranças do movimento Capitalismo Consciente no Brasil; a The Body Shop, fundada pela empresária britânica Anita Lucia Roddick, ativista ambiental e multiplicadora da ideia de consumo ético, a Ben & Jerry´s Ice Cream, criada por Bennett Cohen e Jerry Greenfield, empresários filantropos americanos e milhares de outros casos que não caberiam aqui.

Neste artigo, você irá aprender em 10 passos a incorporar a gestão ambiental nos negócios e a planejar ações estratégicas para colocar as empresas na trilha do desenvolvimento sustentável. Vem comigo…

1 – Envolva a Alta Direção.

Implantar um programa de gestão ambiental com todas as suas potencialidades requer uma mudança de mentalidade em todos dos níveis hierárquicos da empresa, começando pela alta direção que deverá:

  • Apoiar a criação de uma Política Ambiental e submeter-se a ela;
  • Patrocinar programas internos de educação ambiental;
  • Garantir que os exemplos em defesa do meio ambiente partam do nível hierárquico mais alto para o mais baixo.

Quase sempre o primeiro desafio é demonstrar que gestão ambiental não é incompatível com lucratividade e que, ao contrário, a empresa pode se beneficiar ao assumir compromissos verdes de forma consistente.

Os executivos de sustentabilidade de alta performance sabem bem que devem ganhar e manter o apoio do CFO (Chief Financial Officer) pois sem o seu envolvimento dificilmente um programa de gestão ambiental sairia do papel.

Para isso, é preciso falar a linguagem dos negócios, ou seja, saber projetar retornos financeiros potenciais relacionados às iniciativas socioambientais.

2 – Escute o Que Seus Stakeholders Têm a Dizer.

Para colocar os negócios na rota da sustentabilidade, uma etapa importante é conhecer as expectativas de seus principais stakeholders em relação à empresa.

Stakeholders são pessoas ou grupos de pessoas que não apenas podem ser afetadas pelas atividades empresariais mas que, também, exercem influência sobre os resultados do negócio, podendo até mesmo boicotar marcas que, de alguma forma, passam a ser percebidas como inimigas do meio ambiente.

Os stakeholders podem ser agrupados como: primários e secundários.

# Stakeholders Primários.

Os stakeholders primários são aqueles cujo o envolvimento contínuo com a empresa é crucial para a sua existência, como acionistas, clientes, colaboradores e fornecedores.

# Stakeholders Secundários.

Os stakeholders secundários não realizam necessariamente trocas com a empresa, logo não influenciam diretamente a sua existência, mas podem influenciar e mobilizar a opinião publica: a imprensa, as ONGs e os sindicatos são alguns exemplos de stakeholders secundários.

Após identificar os principais stakeholders do negócio, a próxima etapa será levantar as suas percepções e expectativas em relação a forma como a empresa lida com questões ambientais. Veja algumas formas para fazer isso:

  • Através de pesquisas do tipo Focus Group;
  • Com questionários quantitativos e qualitativos;
  • Levantando sugestões de colaboradores;
  • Realizando seminários;
  • Em audiências públicas;
  • Participando de grupos e fóruns online.
  • Através de clippings impressos e eletrônicos (via assessoria de imprensa).
  • Sondando o sentimento de marca através das redes sociais.

3 – Engaje os Colaboradores

Ilustração de colaboradores em treinamento corporativo

A gestão ambiental deve ser incorporada à cultura organizacional como uma premissa essencial à gestão global do negócio, influenciando todas as decisões.

E para isso é preciso investir em educação corporativa, isso mesmo: treinamento, treinamento e mais treinamento.

Entretanto, lembre-se: o que não faltam são empresas realizando treinamentos a torto e a direito mas sem produzir o menor resultado prático, simplesmente porque deixam de focar no mais importante: garantir o aprendizado.

O que eu quero dizer com isso é que é preciso avaliar a eficácia dos programas de treinamento corporativo, se os conteúdos transmitidos estão influenciando positivamente os objetivos do negócio.

Mesmo porque, na vida corporativa, muitas vezes ligar o piloto automático trata-se de uma questão de sobrevivência, com tantas reuniões, eventos e treinamentos e ainda estar em dia com deadlines saltando por todos os lados, não é mesmo?

Por isso, em se tratando de capacitação, vá além dos inputs (conteúdos) e dos outputs (treinamentos realizados) e coloque energia no outcome (o aprendizado em si) e meça os resultados.

Além disso, não deixe de recorrer às práticas que facilitam a aprendizagem e ajudam a gerar mudanças de mentalidade de forma mais natural e espontânea.

Veja alguns caminhos para alcançar ótimos índices de aprendizagem corporativa, mesmo em contextos de metas desafiadoras e prazos apertados:

  • Contrate uma consultoria especializada em educação ambiental corporativa para desenvolver cursos, workshops, seminários e palestras engajadoras;
  • Após os treinamentos, envie e-mails com conteúdos complementares através de um autoresponder, uma ferramenta online que automatiza disparos de mensagens multimídia. Monitore as taxas de abertura, os temas mais acessados e até os colaboradores mais envolvidos.
  • Avalie incluir estratégias e ferramentas de gamificação nos treinamentos. A gamificação é uma forte tendência no mundo dos negócios para deixar as atividades mais desafiadoras e ao mesmo tempo divertidas, através de elementos e técnicas de jogos.
  • Envolva a área de Recursos Humanos, ela exercerá um papel fundamental para adequação dos treinamentos ao perfil médio do colaborador.
  • Use e abuse de storytelling. O cérebro humano assimila histórias com mais facilidade que dados. É por isso que o storytelling, a técnica (ou a arte) de contar histórias, está na grade curricular das mais renomadas escolas de administração do mundo.

Saber criar narrativas envolventes ajuda as marcas a transmitirem conceitos e significados para conquistar mentes e corações.

Por isso, conte histórias sobre colaboradores heroicos que alcançaram metas ambientais extraordinárias, sobre o compromisso da empresa em ajudar as pessoas e salvar o planeta…

  • Motive as principais lideranças da empresa a ensinarem às suas equipes o que aprenderam em treinamentos recentes. Curiosamente, ensinar é a forma mais eficaz de potencializar o próprio aprendizado.

Segundo o psiquiatra norte-americano William Glasser, quanto ensinamos aprendemos 95% mais.

Ilustração da Pirâmide da Aprendizagem

4 – Não Descuide da Legislação Ambiental.

Estar em dia com a legislação ambiental não é o mesmo que ter modelo de gestão ambiental estruturado, mas é o básico e não dá pra descuidar disso.

Mesmo porque uma empresa terá dificuldades para engajar colaboradores em questões ambientais ou mesmo transmitir uma imagem ambientalmente responsável com multas batendo à sua porta.

Então, para não descuidar dos tópicos legais e atuar para zerar passivos ambientais, caso existam, comece com uma planilha básica, como esta a seguir.

planilha de controle de temas legais

a) Na linha “Item de Verificação” preencha o tópico a ser acompanhado, por exemplo: “tratamento de efluentes”;

b) Na coluna “Status Atual” descreva a situação que requer atenção como: “usina de tratamento de efluentes no limite da capacidade”;

c) Na coluna “Ação” escreva o que deve ser feito, como “dobrar a capacidade de tratamento de efluentes, adquirindo e instalando usina adicional”;

d) Em “Prazo Final” defina o deadline;

e) Por fim, envolva os responsáveis.

Para enriquecer a planilha você pode incluir colunas para: informar os valores monetários de passivos ambientais, comunicar custos para a realização das ações corretivas, incluir links que apontam para as leis ambientais relacionadas.

5 – Estabeleça Uma ou Mais Abordagens de Gestão Ambiental.

De modo geral, as empresas podem considerar 3 abordagens de gestão para gerir impactos ambientais, são elas: abordagem de controle da poluição, abordagem de prevenção da poluição e abordagem estratégica.

# Abordagem de Controle da Poluição.

São as ações voltadas para evitar ou mitigar os efeitos nocivos da poluição produzida e lançada no meio ambiente, porém sem alterar as características de produtos e processos geradores dos poluentes. Estas ações podem ser executadas de duas formas:

  • Através de Tecnologias End-of-Pipe.

Equipamentos instalados nos pontos de despejo de resíduos para reter a poluição gerada e transformá-la em rejeitos menos nocivos antes de ser despejada no meio ambiente. Filtros e estações de tratamento de efluentes são alguns exemplos.

  • Através de Tecnologias de Remediação.

Para a recuperação de áreas afetadas, como nos casos de vazamento de substâncias químicas ou metais pesados em rios, derramamento de petróleo no mar, contaminação de áreas com produtos radioativos, entre outros casos.

# Abordagem de Prevenção da Poluição.

Ilustração de ambiente sustentável

Se por um lado o controle da poluição impede ou minimiza os efeitos de poluentes já produzidos, a abordagem de prevenção busca evitar ou diminuir a sua produção, através do (re) design de produtos e processos, poupando matérias primas e energia.

# Abordagem Estratégica.

Através da abordagem estratégica as empresas buscam fazer negócios de forma mais inteligente, criando novas vantagens competitivas e aumentando suas margens de lucro ao passo em que tornam-se ambientalmente eficientes.

Por exemplo, ao atender as expectativas de públicos sensíveis às questões ambientais, com produtos e serviços verdes, as empresas almejam a predileção desses e, dessa forma, aumentar o seu market-share.

Uma outra situação é quando a redução de custos gerada com a prevenção da poluição pode ser repassada na forma de preços mais atrativos ao mercado, ajudando a incrementar a demanda por seus produtos.

A abordagem estratégica mira em fatores externos que podem representar riscos ou oportunidades para o negócio tais como:

  • Os ambientes legal e setorial;
  • Tendências tecnológicas;
  • Acordos ambientais multilaterais.

Através da abordagem estratégica é possível criar um círculo virtuoso em que ações benéficas ao meio ambiente geram economia de escala, diferenciação da marca e maior lucratividade.

6 – Defina Um ou Mais Modelos de Gestão Ambiental.

Um modelo de gestão ambiental é um conjunto de processos bem definidos que contribuem para o alcance dos objetivos ambientais das empresas.

Se por um lado a abordagem de gestão refere-se a “o que fazer”, o modelo de gestão diz respeito ao “como fazer”.

Mas, tudo isso é muito didático, por isso lembre-se de não se prender a padrões, de pensar sempre fora da caixa e combinar modelos e abordagens para criar o caminho que levará o seu negócio à excelência ambiental.

A seguir, conheça alguns modelos de gestão ambiental que podem ser incorporados aos negócios.

# Administração da Qualidade Ambiental Total.

A TQEM, Administração da Qualidade Ambiental Total (do inglês, Total Quality Environmental Management) é uma variação da TQM, Administração da Qualidade Total (do inglês, Total Quality Management).

Assim, comparando os dois modelos, a TQM procura superar as expectativas do consumidor final com produtos e serviços cada vez melhores.

Já a TQEM procura superar as expectativas de clientes e outros stakeholders sensíveis às questões ambientais através da busca pela excelência nos cuidados com o meio ambiente.

No item 8 da nossa lista, eu apresentarei algumas ferramentas da qualidade incrivelmente úteis em ambos os modelos. Continue lendo…

# Produção Mais Limpa (Reduzir, Reutilizar, Reciclar).

Produção Mais Limpa

Criado pelo Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), o modelo Produção Mais Limpa (P+L) é voltado para o desenvolvimento de estratégias capazes de minimizar e reaproveitar resíduos e emissões:

  • Minimizar Resíduos e Emissões.

A P+L foca na redução de resíduos e emissões na fonte, utilizando menos matérias primas, realizando reciclagem interna ou aproveitando resíduos e emissões nos processos fabris. Veja alguns caminhos:

a) Incorporar insumos que geram menos desperdício;

b) Diminuir ou substituir o uso de materiais nocivos ao meio ambiente;

c) Inovar em processos e modernizar equipamentos que gerem menos desperdício;

d) Deixar processos administrativos e operacionais mais eficientes;

e) Reutilizar resíduos e emissões internamente.

  • Reaproveitar Resíduos e Emissões.

Aqui o foco é na reciclagem externa, ou seja, sempre que resíduos e emissões não têm como ser utilizados internamente, então o que seria desperdiçado é vendido ou cedido a outras organizações interessadas.

# Eco Design

Eco Design ou DfE – Design para o meio ambiente (do inglês, Design for environment) é o modelo de gestão voltado para a melhoria de produtos e processos ao longo de toda a cadeia de suprimentos, com olhos no desenvolvimento de negócios sustentáveis. A inovação é a base desse modelo gerencial que é voltado para 3 iniciativas:

  • Desintoxicação.

A desintoxicação busca remodelar produtos para diminuir ou eliminar o uso de substâncias tóxicas ou perigosas para os seres humanos e o meio ambiente;

  • Desmaterialização.

Para a redução de materiais e energia necessários à fabricação de produtos;

  • Revalorização.

Recupera, reutiliza e recicla resíduos sólidos e energia, nos processos produtivos e nas redes de distribuição e consumo para evitar ao máximo o uso de recursos naturais virgens.

# Ecoeficiência

Através da ecoeficiência as empresas buscam reduzir o uso de materiais e energia em suas cadeias de suprimentos para aumentar a produtividade e diminuir impactos sobre o meio ambiente. Ou seja, criam valor econômico ao mesmo tempo em que diminuem a pressão sobre a natureza. A ecoeficiência pode ser medida assim:

Ecoeficiência = Valor da Produção / Impacto Ambiental

Por exemplo, imagine que em um ano, uma empresa faturou R$75.000.000,00 fabricando e comercializando latas de alumínio, e que neste período consumiu 12.000 toneladas de alumínio.

Podemos dizer que sua ecoeficiência naquele ano foi de: R$6.250,00 por tonelada de alumínio (R$75.000.000,00 / 12.000t).

Agora, imagine que no ano seguinte esta empresa tenha reduzido a espessura das latas e utilizado apenas 10.000 toneladas (2 mil a menos) para vender a mesma quantidade e faturar exatamente o mesmo que no ano anterior.

A sua ecoeficiência seria de R$7.500,00 por tonelada de alumínio utilizada, gerando menos resíduos e aumentando a receita operacional do negócio.

# Ecologia Industrial

Os organismos vivos de um ecossistema dependem uns dos outros para perpetuarem suas espécies através das cadeias alimentares.

Uma cadeia alimentar é formada por seres produtores de energia, entre eles as plantas e as bactérias; seres consumidores, que são os organismos que se alimentam de outros organismos; e os decompositores, com algumas bactérias e fungos.

Em uma cadeia alimentar, matéria e energia fluem por meio da alimentação, um organismo servindo de alimento para o outro, e assim na natureza nada é desperdiçado, tudo é aproveitado.

O que a ecologia industrial faz é imitar essas inter-relações para criar sistemas inteligentes, capazes de colocar empresas geradoras e empresas consumidoras de resíduos industriais lado a lado.

Através desse modelo de gestão verdadeiros parques eco industriais já se estabeleceram nos EUA, Europa e Canadá, com empresas estrategicamente alinhadas, criando sistemas fechados onde todas lucram com os resíduos industriais umas das outras.

Infelizmente, a ecologia industrial ainda não é para todos, pois sua implantação é complexa, desafiadora e cara, mas pode inspirar a gestão ambiental de empresas de todos os tamanhos que ainda não conhecem como deveriam a composição de seus resíduos e por isso não aprenderam a separar as partes que podem ser comercializadas.

7 – Escolha as Ferramentas Certas.

A escolha estratégica das ferramentas de gestão é uma etapa importante para a criação de modelos gerenciais mais inteligentes e produtivos.

Existem milhares de aplicações online com recursos e tecnologias até pouco tempo inimagináveis, como blockchain, big data e learn machine, por exemplo.

Entretanto, foquei aqui em ferramentas mais acessíveis, que podem ser desenvolvidas na própria empresa, bastando para isso o bom o velho Excel, mas prometo que as high-end technologies serão tema de um outro artigo em que darei enfoque especial para elas.

# Diagrama de Ishikawa

Diagrama de Ishikawa

O diagrama de Ishikawa irá ajudá-lo a validar as causas de um determinado problema. A ideia por trás da ferramenta é: ao eliminar as causas de um problema caminhamos para eliminar o problema em si.

Visualmente, o diagrama lembra uma espinha de peixe e por isso é conhecido também como diagrama espinha de peixe, sendo a “cabeça do peixe” o campo onde você irá preencher um problema a ser tratado e as “espinhas” os campos onde indicará as causas que precisam ser validadas e enfrentadas.

# Plano de Ação (PA)

Um plano de ação é basicamente uma lista de ações focadas na solução de problemas.

O ideal é usá-lo junto com outras ferramentas, por exemplo: após validadas as causas de um problema através do diagrama de Ishikawa você poderá listá-las em um plano de ação com propondo iniciativas corretivas para cada uma delas.

Um PA pode ser uma planilha com as linhas indicando os problemas a serem enfrentados (ou as suas causas) e as colunas trazendo a metodologia 5W e 2H – um conjunto de 7 perguntas táticas que orientarão a formulação das ações corretivas, são elas:

  • What (O que)? O que queremos com a ação?
  • Why (Por que)? Por que queremos realizar esta ação?
  • Who (Quem)? Quem será o responsável direto pela ação?
  • Where (Onde)? Onde a ação ocorrerá?
  • When (Quando)? Qual a data limite para realizar a ação?
  • How (Como)? Como a ação será executada? Como atacar o problema?
  • How Much (Quanto custará)? Quanto custará a ação proposta?

# Diagrama de Pareto

Diagrama de Pareto

O Diagrama de Pareto é incrivelmente útil quando precisamos priorizar problemas.

Trata-se de um gráfico de barras que ordena a frequência de determinadas ocorrências, ou seja, quantas vezes certos problemas se repetiram em um dado período de tempo.

Logo, através o diagrama de Pareto é possível definir quais problemas estão impactando mais o negócio para poder focar neles.

# Ciclo PDCA

PDCA é uma ferramenta voltada para a melhoria contínua de processos, produtos e serviços. Dividida em 4 etapas (do inglês, Plan, Do, Check and Act) é conhecida, também, como Ciclo de Deming ou Ciclo PDCA.

A primeira etapa do PDCA é o planejamento (Plan), a fase em que, considerando o contexto atual do negócio, são definidas ações para sair de um ponto “A” e alcançar um ponto “B” desejado.

A segunda etapa refere-se à execução das ações (Do) elaboradas na fase de planejamento, sempre mirando na evolução de indicadores de desempenho.

Na fase da avaliação dos resultados (Check) deverão ser avaliados e mensurados os resultados alcançados em cada ação realizada na fase anterior.

Na etapa final (Act), após a checagem dos resultados, deverão ser criadas ações corretivas para aproximar os resultados das metas traçadas no planejamento.

Ao “girar” um PDCA o processo volta sempre ao ponto de partida e, dessa forma, os resultados que ainda precisam ser melhorados entram em um novo ciclo e assim, sucessivamente, o fim de um PDCA será o início de outro.

8 – Defina os Indicadores de Desempenho Ambiental.

Ilustração de profissionais analisando indicadores de desempenho

A escolha dos indicadores de desempenho ambiental (IDA) é uma etapa essencial no início de todo programa de gestão ambiental.

É preciso escolher com bom senso os indicadores que deverão refletir os aspectos socioambientais mais relevantes do negócio.

Mas é preciso saber dosar, pois a escolha exagerada de indicadores pode deixar a operação pesada e tirar o foco daquilo o que é essencial. Por isso, procure identificar e eliminar informações redundantes e aquelas que não contribuem tanto para a tomada de decisões.

Os indicadores de desempenho ambiental podem ser classificados em 2 tipos: os indicadores de desempenho gerencial (IDG) e os indicadores de desempenho operacional (IDO).

# Indicadores de Desempenho Gerencial

Medem a capacidade da empresa para gerenciar itens que influenciam o seu desempenho ambiental, veja alguns exemplos:

  • Custos atribuídos à multas e penalidades ambientais;
  • Número de auditorias concluídas versus planejadas;
  • Custos relacionados a fatores ambientais de processos fabris;
  • Economia gerada com a redução do uso matérias primas;
  • Retorno Sobre o Investimento (ROI) em projetos de Eco Design;
  • Número de treinamentos ambientais fornecidos às comunidades;
  • Notas positivas versus notas negativas da imprensa sobre o desempenho ambiental da empresa.

# Indicadores de Desempenho Operacional

Medem o desempenho ambiental das operações da empresa. Estão relacionados a) aos inputs de materiais, energia e serviços de apoio às operações, b) às instalações físicas e equipamentos e c) aos outputs de produtos, serviços, resíduos e emissões.

Veja alguns exemplos:

  • Quantidade de matéria prima por unidade de produto (input de material);
  • Quantidade de água reutilizada (input de material);
  • Quantidade de energia consumida por unidade de produto (input de energia);
  • Área total de solo usada em atividades produtivas (instalações físicas e equipamentos);
  • Índice de produtos com defeitos (output de produto);
  • Tempo médio de uso do produto (output de produto);
  • Quantidade de resíduos gerada anualmente (output de resíduos);
  • Quantidade de resíduos reciclados anualmente (output de resíduos);
  • Quantidade de emissões por produto (output de emissões).

9 – Comunique as Iniciativas e Resultados Ambientais.

ilustração de comunicação empresarial

A comunicação empresarial é uma ferramenta absolutamente necessária à gestão ambiental, principalmente quando consideramos dois de seus maiores desafios: provocar uma mudança de mentalidade e engajar as pessoas.

Nesse contexto, eu particularmente gosto de dividir a comunicação empresarial em 3 tipos distintos e inter-relacionados: a comunicação interna, a comunicação externa e os relatos de sustentabilidade.

# Comunicação Interna.

Em uma empresa orientada à gestão ambiental cabe à comunicação interna disseminar conceitos e valores capazes de provocar uma mudança comportamental, fazendo com que os colaboradores passem a atribuir maior relevância às questões socioambientais, antes negligenciadas em suas rotinas de trabalho.

O escopo da comunicação interna orientada a questões socioambientais deve:

  • Disseminar os objetivos e os resultados socioambientais internamente : a experiência tem demonstrado que quanto mais informação é levada ao colaborador, mais alinhado ele fica com estes objetivos e inclinado a contribuir.
  • Gerar interesse: a comunicação deve fazer parte da rotina dos colaboradores de forma natural e espontânea e, por isso, deve ser atraente, leve e até mesmo divertida. Então, utilize recursos audiovisuais, infográficos, técnicas de storytelling… use e abuse da criatividade.
  • Facilitar a acessibilidade das mensagens: hoje, com tantos recursos tecnológicos disponíveis é possível diversificar os canais de comunicação. Considere tvs corporativas, redes sociais, apps customizados, blogs, intranet e muito mais. Mas, nem todos os colaboradores são usuários de tecnologias, por isso não esqueça dos murais, folders e informativos tradicionais.
  • Lidar com as subjetividades: a comunicação interna deve reforçar os compromissos ambientais focais da empresa, evitando subjetividades e esforços desnecessários com o que não é prioritário. E para isto deve estar embasada na política ambiental estabelecida ou nos relatórios de sustentabilidade publicados como referências.

# Comunicação Externa.

A comunicação externa é voltada para o público final. Suas principais ferramentas são a publicidade (on e off-line), relações públicas, assessoria de imprensa e eventos. Assim, no contexto da gestão ambiental, a área de comunicação externa deve atuar para:

  • Posicionar a marca no mercado, destacando os seus diferenciais socioambientais sempre que possível.

Certificações e selos ambientais são ótimos recursos para apoiar o posicionamento de marcas verdes pois, em sua maioria, envolvem auditorias externas independentes que atestam a conformidade de processos, produtos e serviços à rigorosos padrões de gestão ambiental:

ISO 14001, Selo B Corp, Qualidade ABNT Ambiental, Leed, FSC, Green Seal, Rainforest Alliance Certified são alguns exemplos de certificações bastante reconhecidas.

A depender do contexto, da capacidade de investimento e dos objetivos sustentáveis do negócio, outros rótulos, selos e certificações verdes poderão ser combinados para reforçar o posicionamento ambiental.

  • Empoderar consumidores, destacando os benefícios ambientais de produtos e serviços.

Se os diferenciais verdes de produtos e serviços não forem percebidos, os públicos sensíveis às questões ambientais não sentirão que estão fazendo a diferença ao consumi-los, por isso destaque sempre estes diferenciais: ensine e empodere sobre produtos e serviços.

  • Reforçar os benefícios tangíveis do produto, tanto quanto na publicidade tradicional.

Os consumidores, sejam eles verdes ou não, querem adquirir produtos com melhor desempenho e não por simples complacência com os esforços ambientais da marca.

Por isso, os diferenciais verdes devem ser tratados como uma camada adicional de valor, por exemplo: um carro mais potente e menos poluente ou um protetor solar mais eficiente contra os raios UV e 100% biodegradável.

# Relatórios de Sustentabilidade

Ilustração de gráfico de desempenho ambiental

Com os relatórios de sustentabilidade as marcas comunicam a seus stakeholders sobre a evolução de seus resultados financeiro, ambiental e social.

Mas, lembre-se, os relatórios de sustentabilidade não devem comunicar apenas os resultados econômicos e socioambientais em que a empresa está se saindo bem, sob o risco de lavagem verde (greenwashing) e justamente por isso, é altamente recomendável incorporar padrões elevados de relato, através de normas reconhecidas.

As normas GRI, por exemplo, se consolidaram nas últimas duas décadas com cerca de 60% dos relatos globais. Empresas como Coca Cola, Ambev e Danone são alguns exemplos de multinacionais que relatam sustentabilidade através dos padrões GRI.

De modo geral, a publicação sistemática de relatórios de sustentabilidade:

  • Estreita a relação entre as marcas e suas partes interessadas, que passam a ter acesso a informações relevantes sobre o negócio e suas práticas socioambientais;
  • Ajuda a criar acesso a novas linhas de crédito verde ao demonstrar ao mercado práticas que contribuem com a gestão de riscos socioambientais;
  • Coloca as marcas no radar de investidores focados em empreendimentos sustentáveis;
  • Contribui para a criação de um círculo virtuoso de iniciativas corporativas mais éticas e transparentes.

10 – Gerencie Tudo Com Um Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

Ilustração da Certificação ISO 14001

Por fim, o ideal é organizar todas as iniciativas socioambientais através de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

SGA trata-se de uma ferramenta que reúne abordagens e modelos gerenciais com o objetivo de equilibrar as atividades empresariais e a proteção do meio ambiente.

Considere então que as abordagens, os modelos gerenciais e as ferramentas apresentadas ao longo desse artigo são elementos essenciais ao desenvolvimento de um SGA.

Atualmente, os SGA baseados em normas auditáveis são os mais recomendados já que podem ser certificados por organizações independentes, agregando este ingrediente de credibilidade.

As normas ISO 14001 dirigidas a Sistemas de Gestão Ambiental são um exemplo, elas se baseiam no Ciclo PDCA para a melhoria contínua de processos, produtos e serviços e o alcance da condição de empresa ambientalmente responsável.

Pode-se dizer que um SGA certificado pelo pleno cumprimento dessas normas é um SGA ISO 14001.

Então, um Sistema de Gestão Ambiental deve:

  • Criar condições para que a empresa esteja em conformidade com a legislação ambiental;
  • Melhorar a produtividade do negócio ao passo em que diminui a pressão sobre o meio ambiente;
  • Prevenir ou mitigar danos ao meio ambiente;
  • Criar impacto positivo;
  • Comunicar iniciativas e resultados ambientais às partes interessadas.

As fases de um SGA São:

# Definição da Materialidade.

A materialidade é estratégica para a gestão ambiental. Na prática, ela é o conjunto de temas socioambientais prioritários e que devem ser abordados com ações focais. Mas, como definir esses temas?

Primeiro é preciso ouvir os principais stakeholders da empresa e compreender suas expectativas em relação às questões socioambientais que consideram mais relevantes para a empresa.

Depois, deve-se definir os temas socioambientais mais importantes para o negócio em si, considerando suas implicações econômicas e priorizando aqueles que oferecem potencialmente mais riscos ou oportunidades para a empresa: água, por exemplo, é um tema ambiental fortemente estratégico para qualquer empresa fabricante de bebidas.

Por fim, considere apenas os temas convergentes, avaliando as duas perspectivas anteriores, ou seja, os principais temas apontados pelas partes interessadas e aqueles mais estratégicos para o negócio. Todo o resto você descarta.

# Criação De Uma Política Ambiental.

A política ambiental é a declaração das intenções da alta administração em relação ao meio ambiente.

Seu conteúdo deve informar, de forma clara e específica os compromissos da alta administração com a performance ambiental da organização, evitando o uso de termos genéricos e ambíguos que possam caracterizar uma finalidade meramente burocrática para esta ferramenta.

Os compromissos declarados na política ambiental devem ser coerentes com contexto da empresa, sua materialidade e devem ser refletidos no SGA.

Segundo a ISO 14001, a política ambiental deve informar ao menos três compromissos essenciais:

  • A proteção do meio ambiente;
  • O atendimento a requisitos legais e outros requisitos da empresa;
  • A melhoria contínua do SGA com foco no aumento do desempenho ambiental.

# Estabelecimento de Objetivos Ambientais.

A definição de objetivos ambientais deve ter como ponto de partida a lista de tópicos materiais (ou materialidade) da organização.

Na prática, deve-se atribuir indicadores de performance para os tópicos materiais listados, estabelecendo metas desafiadoras porém alcançáveis, para cada um deles. Logo, pode-se dizer que os objetivos ambientais devem:

  • Ter relação com a materialidade;
  • Ser mensuráveis.

Através do método S.M.A.R.T é possível estabelecer objetivos de maneira inteligente, como sugere o acrônimo de 5 letras “Smart“, na tradução do inglês: “inteligente”.

Ilustração com as etapas de uma meta smart

“S” – Specific (do inglês, específico)

O objetivo ambiental deve ser específico, por exemplo: em vez de definir a “redução do uso de combustíveis fósseis” quantifique buscando “reduzir em “x”% o uso de combustíveis fósseis, em relação ao ano anterior”;

“M” – Measurable (do inglês, mensurável)

O objetivo ambiental deve ser mensurável através de um indicador de desempenho tangível, por exemplo: quantidade de água utilizada por unidade produzida – litros/unidade;

“A” – Attainable (do inglês, atingível)

Objetivos devem ser realistas, ou seja, independente da boa vontade e intensão para alcançá-los é preciso considerar os recursos financeiros, humanos, de tempo, entre outros, com os pés no chão.

“R” – Relevant (do inglês, relevante)

A relevância está relacionada à capacidade da empresa em identificar questões verdadeiramente importantes para o negócio, considerando riscos potenciais e oportunidades de mercado.

Como abordei aqui, é através da definição da materialidade que são estabelecidos os tópicos ambientais mais relevantes a serem priorizados.

“T” – Timely (do inglês, oportuno)

Por fim, todo objetivo deve ter um prazo, afinal sem um deadline estabelecido é humano ceder, em alguma medida, à procrastinação, não é mesmo?

Mas, também, não adianta forçar a barra com prazos muito apertados sem ponderar as agendas e a capacidade de entrega dos envolvidos.

É preciso, sim, estimular um sentido de urgência, desde que balanceado com uma percepção realista sobre as limitações e potencialidades das equipes.

Assim, procure envolver a todos na definição dos prazos, negociando nem muito ao mar, nem muito à terra – Hurry up Slowly! (Apresse-se devagar!)

Um exemplo de um objetivo SMART bem desenvolvido seria:

“Até 2023, reduzir em 40% o uso de substâncias tóxicas por unidade produzida do produto “x”, considerando os níveis praticados em 2018”.

É Específico:

Define quanto buscará reduzir o uso de substâncias tóxicas (40%), tendo como parâmetro o nível de toxicidade por unidade produzida, no ano de 2018;

É Mensurável:

Neste exemplo, é possível estabelecer métricas para mensurar a diminuição ou substituição de substâncias tóxicas e até mesmo a ecoeficiência por unidade produzida;

É Atingível:

Considere hipoteticamente que antes estabelecer o objetivo a empresa tenha realizado um estudo para certificar-se de que as mudanças no produto eram exequíveis.

É Relevante:

Suponha que a toxicidade de produtos seja um item material desta empresa, tratando-se um gargalo relevante a ser enfrentado com prioridade.

É Temporal:

Estabelece um prazo de 5 anos para a implementação total das mudanças que diminuirão o uso de substâncias tóxicas no produto. Este prazo deverá servir como parâmetro para subdividir o projeto de inovação do produto em pequenas etapas monitoráveis.

# Planejamento de Ações.

Com as etapas anteriores concluídas, os elementos essenciais ao planejamento socioambiental empresarial estarão garantidos, mas não deixe de considerar:

  • As questões ambientais mais relevantes devem ser abordadas a partir de uma perspectiva de riscos e oportunidades para o negócio;
  • As metas e objetivos devem ser desafiadoras, porém exequíveis;
  • Os melhores recursos e tecnologias economicamente acessíveis devem ser incorporados para apoiar o alcance dos resultados pretendidos;
  • A educação ambiental deve estar inserida nos programas de capacitação empresarial;
  • O monitoramento e avaliação de resultados devem ser realizados com frequência definida;
  • Os resultados deverão ser sempre comunicados de maneira objetiva e transparente a todas as partes interessadas.

Por fim, vale destacar que a gestão ambiental não é uma atividade estanque, separada do core business da empresa, muito pelo contrário, em estágios mais maduros, tende a tornar-se totalmente integrada à gestão global do negócio e, até mesmo, confundir-se com ela.

Conclusão.

As questões ambientais estão na capa dos principais jornais e revistas do mundo e viralizam na internet a cada instante.

E não é à-toa, considerando suas implicações em quase tudo a nossa volta: na saúde, no bem-estar das pessoas, na economia e nos negócios.

Por isso, cada vez mais as empresas são pressionadas a agir, já que boa parte dos problemas ambientais está relacionada a forma como os bens de consumo são tradicionalmente produzidos, distribuídos e descartados.

Além disso, cada gesto, cada ação empresarial pode gerar efeitos nocivos, em grandes proporções e de maneira exponencial sobre o meio ambiente e sobre a qualidade de vida das pessoas.

Mas, esse também é um contexto de muitas oportunidades. Lideranças empresariais estão descobrindo a força da gestão ambiental para fortalecer os negócios: empresas com estratégias verdes têm demonstrado uma grande capacidade para reduzir gastos de maneira consistente, criar brand equity com mais desenvoltura e engajar colaboradores e clientes com grande eficácia.

Empreender com responsabilidade ambiental prepara as empresas para competir em outro nível, um nível que está formando as bases da gestão empresarial do futuro.

Ah! Só pra lembrar: o futuro é agora.

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