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Sustentabilidade Corporativa

ODS: O que São e Como Implantá-los na Empresa.

em
08/10/2019
Logomarca ODS da ONU.

Em setembro de 2015 a Organização das Nações Unidas lançou a Agenda 2030, um plano de ação global com 169 metas voltadas para o alcance de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – os ODS.

Com adesão dos 193 países-membros da ONU, os ODS foram criados para engajar governos, setor privado e a sociedade civil por um mundo mais justo e sustentável, considerando que chegamos a um ponto de ruptura global com efeitos socioambientais alarmantes para esta e as futuras gerações.

Para dar uma ideia, considerando apenas a perspectiva ambiental, segundo a Global Footprint Network, todos os anos as cadeias produtivas globais consomem os recursos naturais do planeta a um ritmo 1,7 vezes mais rápido que a sua capacidade regenerativa.

Em outras palavras, estamos consumindo 1,7 planeta ao ano, deixando o saldo dessa conta que não fecha para as futuras gerações.

Somado a tamanho desafio, existem outras questões de natureza econômica e socioambiental intimamente relacionadas, tais como a extrema pobreza, a degradação de ecossistemas, o declínio acelerado da biodiversidade, o aumento das desigualdades sociais, alterações climáticas e uma infinidade de outros temas que precisam ser confrontados para tornar o desenvolvimento sustentável possível.

Acontece que se por um lado as atividades da industria e do varejo estão intimamente relacionadas a este contexto, por outro, as empresas, a partir do novo paradigma da sustentabilidade corporativa, possuem um enorme potencial para conferir tração à Agenda 2030 e seus 17 ODS, já que possuem:

  • Influência e controle sobre as cadeias de suprimentos;
  • Capacidade de investimento;
  • Espírito inovador;
  • Acesso a novas tecnologias…

Ao contribuir com a Agenda 2030 e os ODS as empresas também poderão aperfeiçoar suas práticas de governança, criar novos diferenciais competitivos, reduzir gastos, gerenciar melhor os riscos relacionados aos negócios e aumentar a sua resiliência.

A Business & Sustainable Development Commission 2017 projeta que os ODS podem gerar pelo menos 12 trilhões de dólares em economias e receitas para as empresas e cerca de 380 milhões de novos empregos, até 2030.

Há também oportunidades que podem ser exploradas para o fortalecimento das marcas, à medida em que as diversas partes interessadas das organizações demonstram estarem cada vez mais atentas e sensíveis à responsabilidade social corporativa.

Em 2017, pesquisa realizada pela Unilever com a consultoria Europanel, dirigida a 20 mil adultos no Brasil, EUA, Índia, Reino Unido e Turquia constatou que um terço dos entrevistados realizavam compras considerando a responsabilidade socioambiental das empresas.

Na mesma pesquisa, 85% dos brasileiros declararam sentirem-se melhor quando consomem marcas sustentáveis.

Além disso, há evidências de que questões socioambientais também estão assumindo nuances aspiracionais entre as gerações mais novas.

Em 2019, a Consultoria Deloitte sondou 13.416 millennials (pessoas nascidas entre 1983 e 1994) e 3 mil pessoas da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) na pesquisa intitulada Millennial Survey e identificou que entre as principais aspirações desses dois públicos estava “causar impacto positivo no planeta”, com 52% das respostas.

Outra pesquisa na mesma linha é a Google Consumer Survey Brazil 2019, realizada pelo Google Brasil com o público da geração Z (que já representa cerca de 30% da população). Os resultados foram apresentados na plataforma Think With Google e demonstrou que 85% desses jovens pretende doar parte do seu tempo por uma causa:

  • 43% destacaram a “preservação ambiental”;
  • 20% desejam atuar pela “diversidade”;
  • 19% contra o “racismo”;
  • 11% pelo “feminismo”;
  • 11% para a “desconstrução de estereótipos”.

Ainda sobre a pesquisa, quando os entrevistados foram perguntados sobre a sua definição de sucesso, “trabalhar com causas sociais e ecológicas” surgiu em 2° lugar com 19% das respostas, atrás apenas de “ter um negócio próprio”, com 33,2%.

Gerações Y e Z: mais engajadas com questões socioambientais.

Neste artigo, você verá como colocar os negócios na direção do desenvolvimento sustentável e aperfeiçoar as suas estruturas de governança através dos ODS e para guiá-lo nessa trilha eu irei recorrer a duas ferramentas:

A primeira, o Blueprint For Business Leadership on The SDGs – A Principles-Based Approach (na tradução do inglês: Manual-guia de Liderança Empresarial Para os ODS – Uma Visão Baseada em Princípios) desenvolvida pelo Pacto Global das Nações Unidas.

A segunda ferramenta é o SDG Compass (na versão em português: Guia dos ODS Para as Empresas), desenvolvida pela Global Reporting Initiative (GRI), pelo Pacto Global das Nações Unidas e Pelo Conselho de Negócios Mundiais Para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). Continue lendo.

Manual-guia de Liderança Empresarial Para os ODS. Uma Visão Baseada em Princípios.

O Manual-guia de Liderança Empresarial Para os ODS – Uma Visão Baseada em Princípios, como o título já diz, trata dos aspectos de liderança empresarial necessários para apoiar os ODS. A ferramenta está dividida em 2 partes:

  • Primeira parte: aborda 5 qualidades de liderança essenciais às empresas comprometidas com os ODS.
  • Segunda parte: apresenta os Resumos ODS (SDGs Briefs) que trazem checklists com recomendações de ações empresariais voltadas para apoiar os ODS, assim como orientações para que os gestores possam validar se estão exercendo as qualidades de liderança do jeito certo.

Ao exercitar as 5 qualidades de liderança e seguir os Resumos ODS a empresa poderá realizar ações focadas para apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável com sucesso e desenvolver maior resiliência para lidar com os desafios da sustentabilidade empresarial.

Primeira parte: As 5 Qualidades de Liderança Para os ODS.

1. Intencionalidade

As ações empresariais orientadas para o desenvolvimento sustentável devem ser deliberadas, partindo da alta direção e incorporadas às estratégias de longo prazo e à gestão global do negócio.

2. Ambição

A empresa líder em sustentabilidade se esforça não apenas pelos resultados relacionados ao negócio, mas, também, para impactar positivamente as pessoas e o planeta.

Orientada para a inovação, vai além das práticas convencionais do seu setor, inspirando o mercado a seguir os seus passos.

Busca resultados de curto a longo-prazos para os ODS e não se limita apenas aos inputs e outputs do negócio, focando em iniciativas capazes de contribuir com o progresso social.

3. Consistência

A empresa alinhada com ODS alinha ações ao seu discurso. Publicidade, marketing, relações com governos, todas as suas iniciativas são realizadas de maneira coerente com a sua voz pública e com transparência.

4. Colaboração

Parcerias com empresas, governos, sociedade civil e outras entidades devem ser buscadas para o alcance dos ODS.

Decisões compartilhadas e copropriedade de projetos devem fazer parte da rotina das empresas orientadas para o desenvolvimento sustentável.

5. Responsabilidade

A empresa que lidera para os ODS reconhece a sua responsabilidade pelos impactos adversos que causa, contribui ou influencia. Por isso, possui sistemas de monitoramento de impactos e procedimentos para remediá-los.

As lideranças sustentáveis ouvem o que seus stakeholders têm a dizer e relacionam-se com eles com interesse genuíno, envolvendo-os nos desafios dos ODS.

A empresa líder age dentro da legalidade e alinha suas ações a normas internacionais, até mesmo quando não há regulação nas localidades em que atua.

Sempre comunica os seus resultados com transparência e sabe em que aspectos precisa melhorar.

Segunda parte: os Resumos ODS

Resumos ODS: um checklist de ações essenciais para o desenvolvimento sustentável.

Os Resumos ODS (SDGs Briefs) oferecem questões-chaves e propostas de ações focais para a incorporação dos ODS no coração da gestão global dos negócios.

Além disso, os executivos das empresas poderão questionar em algum momento se estão exercendo a liderança para os ODS do jeito certo e isto é absolutamente esperado. Ao apoiarem-se nos Resumos ODS eles poderão validar se suas decisões estão de fato contribuindo para conduzir os negócios da direção do desenvolvimento sustentável.

Ao todo, são 17 Resumos ODS, um para cada Objetivo de Desenvolvimento Sustentável e eles possuem 5 seções:

Seção 1: Narrativa de Abertura.

A narrativa de abertura traz uma visão geral sobre aquele ODS específico e como a empresa pode apoiá-lo liderando iniciativas focadas.

Seção 2: Ações Empresariais.

Sugestões de ações abrangentes que a empresa pode adotar para contribuir com os ODS mais relevantes para o seu negócio.

Por exemplo, para o ODS 9 “Indústria, inovação e infraestrutura sustentável” são sugeridas 4 Ações Empresariais:

  • “Pesquisar, desenvolver e implantar produtos, serviços e modelos de negócios para fornecer infraestrutura sustentável e resiliente”;
  • “Apoiar a modernização inclusiva e sustentável das indústrias dos países em desenvolvimento nas cadeias globais de valor”;
  • “Criar sistemas de inovação para o desenvolvimento sustentável, fornecendo acesso a financiamento, fomentando o empreendedorismo e reunindo recursos financeiros e de pesquisa em uma base de conhecimento global”;
  • “Atualizar e modernizar a infraestrutura e os ativos da indústria em operações próprias e da cadeia de suprimentos para torná-las sustentáveis e resilientes”.

Seção 3: Questões Guia e Considerações Chave.

As questões guia são perguntas para testar as 5 qualidades de liderança no contexto de um ODS específico. Já as considerações chave complementam as questões guia, trazendo algumas reflexões relacionadas àquele ODS.

Veja, por exemplo, algumas questões guia e considerações chave relacionadas ao ODS 1, “Erradicação da Pobreza”:

Selo ODS 1
ODS 1: Erradicação da Pobreza.

Questão guia relacionada à intencionalidade:

“Sua empresa está comprometida em apoiar o alcance do Objetivo 1? Você desenvolveu uma estratégia holística capaz de refletir esse compromisso, cobrindo operações de ponta a ponta e a comunidade em geral”?

Consideração chave relacionada à intencionalidade:

“Intencionalidade e liderança de alto nível são essenciais para alcançar metas de alívio da pobreza. É preciso construir marcos para revisar a eficácia das estratégias de implementação visando o alívio da pobreza (…)”.

Questão guia relacionada à ambição:

“Suas ações obtêm resultados de longo prazo que excedem em muito os resultantes da prática atual do setor”?

Consideração chave relacionada à ambição:

“Uma ação ambiciosa para a redução da pobreza envolve a expansão do trabalho decente em comunidades economicamente vulneráveis e a criação de oportunidades para grupos marginalizados, como mulheres, minorias étnicas e raciais e pessoas com deficiência (…)”.

Questão guia relacionada à consistência:

“O suporte para o Objetivo 1 é incorporado em todas as funções da organização”?

Consideração chave relacionada à consistência:

“Ações para a redução da pobreza devem ser consistentes em todas as funções organizacionais. Isso requer que as empresas adotem práticas responsáveis em todas as funções, incluindo práticas tributárias legais e responsáveis (…)”.

Questão guia relacionada à colaboração:

“Você procura proativamente oportunidades de parceria com governos, agências da ONU, fornecedores, organizações da sociedade civil, pares da indústria e outros stakeholders para informar como avançar o Objetivo 1”?

Consideração chave relacionada à colaboração:

“As ações para aliviar a pobreza requerem o envolvimento profundo com diversos stakeholders (…). A colaboração é necessária para que as ações empresariais sejam informadas, direcionadas e eficazes”.

Questão guia relacionada à Responsabilidade:

“Você identifica, monitora e relata impactos, incluindo impactos potencialmente adversos”?

Consideração chave relacionada à responsabilidade:

“Tornar os compromissos públicos e o progresso transparentes é fundamental para impulsionar a redução da pobreza. Os riscos de impactos negativos para as pessoas e o planeta devem ser compreendidos e gerenciados (…)”.

Seção 4: Interconectividade

Considere que os ODS são todos interconectados e por isso uma iniciativa dirigida a um determinado ODS pode impactar outros de forma positiva ou negativa, estas interconexões são identificadas nesta seção a fim de:

  • Evitar que algumas iniciativas para um ODS tenham efeitos indesejados sobre outros;
  • Potencializar os efeitos positivos desejados.
O planejamento de ações deve considerar que os ODS são todos interconectados.

A seguir, veja as interconexões relacionadas ao ODS 8, “Promoção do crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, com emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos”.

Minimizando Riscos de Impactos Negativos.

“Se o crescimento econômico não for sustentável pode ter um impacto negativo em objetivos com uma forte dimensão ambiental.

Pode aumentar as emissões de gases de efeito estufa (Objetivo 13), poluir ecossistemas terrestres e oceânicos (Objetivos 14 e 15) ameaçando o futuro, já que as próximas gerações herdarão um planeta mais poluído e menos abastecido de recursos naturais críticos.

Também pode aumentar as desigualdades (Objetivo 10) relacionadas a gênero, pobreza, fome, saúde e resultados da educação”.

Maximizando Impactos Positivos.

“O crescimento econômico aliado à criação de trabalho decente apoia todos os Objetivos Globais, em especial a redução da pobreza (Objetivo 1) e das desigualdades (Objetivos 5 e 10). Isso leva a melhores resultados em saúde, nutrição e educação (Objetivos 3, 4 e 2).

Por fim, garante a prosperidade total e o crescimento contínuo, ajudando a criar as bases de uma sociedade mais pacífica (Objetivo 16)”.

Seção 5: Mergulho Profundo nas Ações Empresariais

Esta seção complementa as Ações Empresariais, trazendo: a) dados contextuais, b) exemplos práticos de iniciativas e c) mais considerações sobre as qualidades de liderança e interconectividade.

Veja um exemplo de “mergulho profundo” em uma Ação Empresarial relacionada ao ODS 14, “Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”:

Ação empresarial:

“Implementar políticas e práticas para proteger os ecossistemas oceânicos afetados pelas atividades de negócios e da cadeia de suprimentos”.

Contexto:

“As empresas têm a responsabilidade de cumprir os padrões ambientais nacionais. As empresas líderes vão além disso e estabelecem novos padrões de referência para buscar o crescimento sem prejudicar oceanos, mares e os recursos marinhos, sempre que possível através de parcerias multi-stakeholders (…)”

Exemplos práticos:

“Uma empresa agrícola compromete-se a erradicar a poluição de pesticidas nocivos no escoamento agrícola e implementa seu compromisso através da transição para o controle biológico de pragas para reduzir a poluição oceânica e a perda de biodiversidade”;

“Uma cadeia de supermercados torna suas lojas totalmente livres de embalagens, exigindo que seus clientes tragam suas embalagens recicladas para evitar que detritos plásticos relacionados a suas operações entrem nos oceanos”.

Mais considerações sobre liderança e interconectividade:

Colaboração: “As empresas geralmente estão bem posicionadas para colaborar com seus fornecedores em práticas mais sustentáveis em benefício dos oceanos, mares e recursos marinhos”.

Responsabilidade: “Os ecossistemas oceânicos geralmente fornecem fontes de subsistência a populações costeiras vulneráveis.

Ao agir para proteger esses ecossistemas, devem ser implementadas salvaguardas sociais e quaisquer riscos de impactos negativos devem ser gerenciados.

Isso inclui engajamento significativo com as populações potencialmente afetadas para entender como a ação pode respeitar e apoiar seus direitos humanos (…)”.

Interconexões: “Oceanos, mares e recursos marinhos saudáveis estão interligados e contribuem para a ação climática (Objetivo 13) e a vida terrestre (Objetivo 15). Considerando que eles sustentam meios de subsistência, eles também contribuem para reduzir a pobreza (Objetivo 1) e a fome (Objetivo 2).” Continue lendo.

Como Implantar os ODS nas Empresas.

Até aqui, aprofundamos as 5 qualidades de liderança para lidar com os desafios da sustentabilidade e ações direcionadoras para apoiar os ODS.

A seguir, você irá aprender a alinhar os ODS às estratégias de negócios com a ferramenta SDG Compass – o Guia dos ODS Para as Empresas, versão traduzida para o português pelo Conselho Empresarial Brasileiro Para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds).

O Guia dos ODS Para as Empresas está organizado em 5 passos e apesar de ter sido desenvolvido para empresas de grande porte, nada impede que seja usado como fonte de inspiração para empresas de pequeno porte, podendo ser adaptado a cada contexto.

Os 5 passos do Guia dos ODS Para as Empresas.

Passo 1: Entenda os ODS.

O primeiro passo faz uma introdução aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, destacando como eles podem ser internalizados de maneira benéfica aos negócios: gerando novas oportunidades, potencializando o melhor desempenho das empresas e diminuindo os seus perfis de risco.

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Neste passo podem ser alcançados benefícios importantes quando a empresa está verdadeiramente comprometida em desenvolver soluções para apoiar os ODS. São eles:

A identificação de oportunidades de negócios futuros.

Os desafios da sustentabilidade já demandam soluções inovadoras relacionadas a questão energética (energia renovável, armazenamento de energia, eficiência energética…), resíduos sólidos, emissões de gases poluentes e incontáveis outras.

Há também grandes lacunas sociais que podem ser preenchidas por produtos e serviços de assistência médica, educacional, sanitária e outras soluções capazes de melhorar a vida de bilhões de pessoas que vivem em situação vulnerável.

Sim, a cada dia surgem novas demandas relacionadas aos desafios globais para o desenvolvimento sustentável e as empresas poderão oportunamente prosperar criando e oferecendo produtos e serviços para atendê-las.

Aumento do valor da sustentabilidade corporativa.

A integração da sustentabilidade à cadeia de valor das empresas ajuda a protege-las de mudanças no ambiente de negócios e a criar mais valor às marcas.

Empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável estão saindo na frente, ao realizar ações que, mais cedo ou mais tarde, acabarão se tornando imperativas por força de leis.

O posicionamento sustentável também têm contribuindo para atrair e engajar novos talentos. Pessoas que se identificam com empresas focadas em gerar impacto positivo. Lembra das pesquisas sobre as novas gerações que mostramos logo no início deste artigo?

Além disso, cada vez mais pessoas declaram estarem inclinadas a comprar de empresas com práticas responsáveis, privilegiando seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes.

Fortalecimento das relações com stakeholders e alinhamento com os rumos da política.
Ilustração sobre análise de stakeholders.
Não envolveu os stakeholders? Houston, we have a problem!

Os ODS refletem as expectativas de diversos públicos capazes de influenciar os resultados da empresa e, além disso, espelham o futuro da política nos quatro cantos do mundo. Assim, ao apoiá-los a empresa terá a oportunidade de:

  • Gozar de mais credibilidade entre suas partes interessadas;
  • Diminuir seus riscos em muitas frentes de atuação, incluindo riscos de reputação;
  • Desenvolver maior resiliência relacionada a custos ou novos cenários legais.
Maior Equilíbrio de sociedades e mercados.

Para que os negócios prosperem é preciso que as sociedades prosperem primeiro. Por isso, apoiar os ODS de forma consistente favorece o ambiente social e de negócios.

Imagine os efeitos sobre a sociedade e sobre os mercados quando mais empresas se dedicarem a enfrentar as desigualdades, a pobreza e a discriminação; ou atuando pela melhoria da educação, proteção dos recursos naturais e da biodiversidade.

Uma linguagem comum e finalidades compartilhadas.

Considere também que os ODS oferecem uma estrutura comum de ação e linguagem, organizando os vários aspectos da sustentabilidade e tornando a comunicação entre as empresas mais fácil.

Dessa forma, o compartilhamento de finalidades e a realização de ações conjuntas com outras organizações e governos torna-se mais simples.

Passo 2: Defina Prioridades.

Neste passo são dadas orientações sobre como priorizar os impactos socioambientais gerados pela empresa para apoiar os ODS em três etapas:

Mapeamento da cadeia de valor para identificação de áreas de alto impacto.

Considere que os maiores impactos sociais e ambientais de uma empresa podem não ser gerados internamente, mas nos elos da sua cadeia de valor.

Uma cadeia de valor envolve empresas exploradoras de matérias primas, fornecedores, logística de entrada e de saída, processos de produção, marketing e vendas e serviços.

É chamada assim porque em cada um desses níveis há agregação de valor ao produto.

Entretanto, no mapeamento de áreas de alto impacto não é necessário analisar meticulosamente cada um dos ODS em todos os elos da cadeia de valor, mas as áreas que podem causar os maiores impactos, positivos ou negativos, presentes ou potenciais, de forma realista.

Por exemplo, imagine que uma indústria hipotética de bebidas terceirize uma grande frota de caminhões para a distribuição física de seu mix de produtos no Brasil.

Neste caso, a distribuição física de produtos poderia ser priorizada como uma área de alto impacto negativo, dadas as taxas de emissões de CO² do modal rodoviário, influenciando diretamente o ODS 13 – “Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos”.

Agora, suponha que a nossa empresa de bebidas, ao lado de cooperativas de catadores, retorne e/ou recicle 50% de seus vasilhames, como latas de alumínio e outras embalagens, com meta para aumentar esse percentual para 85% em 4 anos, claramente uma área de alto impacto positivo relacionada ao ODS 12, “Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis”.

Infográfico sobre mapeamento dos ODS.
Mapeamento dos ODS na cadeia de valor.

Na etapa de mapeamento das áreas de alto impacto a empresa também deverá levar em conta o contexto da cadeia de valor, ou seja, se afeta pessoas em situação de vulnerabilidade, se suas atividades ocorrem em regiões de baixa renda per capta ou não garantem direitos e padrões trabalhistas universais.

Além disso, o mapeamento de áreas de alto impacto deverá ser realizado com base nas avaliações dos principais stakeholders da empresa, mesmo quando for necessário oferecer algum apoio para que possam expressar os seus pontos de vista.

É o caso de extratos sociais vulneráveis e marginalizados, como trabalhadores informais ou determinadas comunidades indígenas, por exemplo.

Com o mapeamento das áreas de alto impacto em sua cadeia de valor, a empresa terá mais clareza não apenas dos impactos socioambientais que produz, mas também sobre riscos e oportunidades que podem influenciar os seus resultados comerciais e institucionais.

Seleção de indicadores de desempenho e coleta dados.

Em seguida, a empresa deverá definir os indicadores de desempenho que refletirão as relações entre suas iniciativas empresariais e os impactos gerados sobre os ODS.

No site ODS IBGE você encontrará uma ampla relação de indicadores para os ODS. A empresa poderá selecionar e utilizar os indicadores mais aderentes às suas áreas de alto impacto ou mesmo utilizá-los como referência para criar os seus próprios indicadores.

Através desses indicadores os líderes de negócios deverão monitorar de que forma as atividades empresariais estão produzindo impactos sobre a economia, a sociedade e o meio ambiente, medindo isto de forma tangível e consistente.

Para isso, será preciso levantar os dados que irão alimentar cada um desses indicadores de desempenho, mas isto nem sempre será possível de maneira direta, considerando que os impactos ocorrem por toda a cadeia de valor, muitas vezes fora dos limites da empresa.

Em muitos casos será possível aproveitar sistemas existentes para extrair os dados necessários, por exemplo, através de sistemas comerciais de compra e vendas.

Mas, nos casos em que os dados não estiverem disponíveis através de sistemas existentes, a empresa poderá implementar outros métodos, como: sistemas de relatórios para processos internos e de fornecedores, visitas de campo, questionários quantitativos e qualitativos, dinâmicas focus group, entrevistas e outros métodos de pesquisa, sempre observando os riscos relacionados à integridade e confiabilidade dos dados.

Definição dos ODS prioritários.

Mapeadas as áreas de alto impacto e selecionados os indicadores de desempenho, a empresa deverá definir os seus ODS prioritários.

Priorizar é essencial pois é comum que a quantidade de impactos mapeados supere a capacidade objetiva da empresa em gerenciá-los. É preciso foco para obter resultados significativos com o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

Assim, por exemplo, se na etapa de mapeamento forem identificadas 7 áreas de alto impacto e priorizadas 3, as outras 4 deverão simplesmente ser descartadas. Utilize, então, os critérios a seguir para apoiar a etapa de priorização dos ODS:

  • Observe a significância de impactos negativos, o nível de importância desses impactos para os principais stakeholders da empresa e a oportunidade de gerar vantagens competitivas ao mitigá-los ou eliminá-los;
  • Não deixe de considerar mudanças no ambiente externo da empresa, tais como novas regulamentações, escassez de recursos, novos gargalos na cadeia de suprimentos, pressão dos stakeholders e outros fatores capazes de transformar áreas de alto impacto negativo em custos ou riscos para o negócio;
  • A partir dos impactos positivos atuais ou potenciais sobre os ODS, avalie oportunidades estratégicas para a criação de vantagens competitivas para o negócio, tais como ampliação de mercado e o desenvolvimento de novos produtos ou serviços, por exemplo.

Passo 3: Estabelecendo Metas.

Definindo padrões e tipos de metas.

Metas ajudam a conduzir as empresas na direção de seus objetivos comerciais e institucionais, criam prioridades compartilhadas e podem reforçar o compromisso das empresas com a sustentabilidade.

O passo 3 do Guia dos ODS Para as Empresas envolve o estabelecimento de metas voltadas ao atendimento dos ODS prioritários.

Para isso, será preciso definir KPIs (Key Performance Indicators), ou seja, indicadores de desempenho que reflitam os impactos empresariais sobre os ODS alvo, como apresentado no passo 2. A ideia é ter alguns indicadores chave para cada tema prioritário.

Ao estabelecer metas, lembre-se de definir um padrão para as mesmas, avaliando os mais apropriados, caso a caso. Existem dois tipos de padrões para a definição de metas:

  • Padrão 1: um ponto no tempo específico.

Por exemplo, diminuir em 30% o uso de determinadas substâncias tóxicas na produção de certo produto até o final de 2020, com relação ao padrão praticado no final de 2015.

  • Padrão 2: um período de tempo específico.

Por exemplo, reduzir as emissões médias de GEE (gases de efeito estufa) em 35% no período de 5 anos, de 2016 a 2020, em comparação às emissões médias em 2006-2010.

Defina o tipo de meta.

Para definir o tipo de meta escolha entre uma meta absoluta ou relativa.

  • Metas absolutas.

Este tipo de meta contempla apenas a KPI, por exemplo: substituir a frota de carros movida à gasolina e diesel por etanol em 50% de 2019 a 2021.

  • Metas relativas.

Este tipo de meta compara a KPI a uma unidade de produção, por exemplo: reduzir o uso de água por unidade produzida em 40%, de 2020 a 2024.

Defina o nível de ambição.

A definição do nível de ambição da empresa para o desenvolvimento sustentável está diretamente relacionada ao estabelecimento de suas metas.

Definir metas ambiciosas e de longo prazo ajuda a transformar a realidade presente e a engajar colaboradores, clientes e outras partes interessadas.  

Mas, ao estabelecer metas de longo prazo é preciso criar, também, metas de curto e médio prazos para poder avaliar se a empresa segue na direção e ritmo certos.

Além disso, uma tendência entre as empresas que lideram para a sustentabilidade é estabelecer as suas metas a partir de um olhar “de fora para dentro”, em contraposição a alternativas mais tradicionais que essencialmente avaliam apenas dados históricos e atuais da empresa para benchmarking e projeção de cenários futuros.

Uma abordagem “de fora para dentro”, como o nome sugere, mira no ambiente externo da empresa, em um contexto mais abrangente da sustentabilidade.

Veja um exemplo de abordagem “de fora para dentro”.

A Cervejaria Ambev, que utiliza em média 90% de água na composição de suas cervejas, apresentou em seu relatório GRI 2016 suas iniciativas para ampliar o acesso à água potável no Brasil e conservar recursos hídricos:  

“(…) atualmente 35 milhões de brasileiros não têm acesso consistente e seguro à água potável. Em 2016, realizamos uma extensa pesquisa sobre o problema e identificamos que a maioria dessas pessoas vive no semiárido brasileiro.

Estabelecemos parcerias importantes com organizações que operam na região há décadas e desenvolvemos um produto inovador no mercado brasileiro.

(…) uma água mineral cujo lucro de suas vendas é 100% canalizado para projetos de acesso à água potável. (…) com relação à conservação da água, redobramos nossos esforços com o projeto Coalizão Cidades Pela Água, liderado pela The Nature Conservancy.

O objetivo é impactar 12 regiões metropolitanas, 21 bacias hidrográficas e mais de 42 milhões de pessoas, conservando e recuperando fontes de água e rios nas principais regiões que sofrem com o estresse hídrico”.

Ao incorporar os ODS aos seus objetivos estratégicos de maneira ambiciosa, as empresas têm a oportunidade de relacionar as suas atividades comerciais a temas absolutamente relevantes para a sociedade, para o planeta e para a economia.

Comunique o compromisso com os ODS.

Tornar suas metas públicas contribui para ampliar o diálogo e cooperação com os principais stakeholders da empresa.

Porém, ao tornar as suas metas públicas a empresa deve levar em consideração o risco de críticas e pressões externas, caso não consiga cumpri-las em tempo.

Isto só reforça a necessidade de uma comunicação corporativa consistente, pautada pela transparência e pela prestação de contas de iniciativas socioambientais.

Passo 4: Integração.

Conceito de integração entre empresas e organizações.
Empresas comprometidas com os ODS fazem parcerias para enfrentar grandes desafios.

No passo 4 do Guia dos ODS Para as Empresas as organizações são encorajadas a ancorar a sustentabilidade em todas as funções do negócio e realizar ações conjuntas com sua rede de fornecedores, empresas do mesmo setor, governos e organizações representantes da sociedade civil. Entenda cada uma dessas etapas:

Ancoragem da sustentabilidade nos negócios.
  • É essencial que os exemplos de integração entre os objetivos comerciais da empresa e objetivos para o desenvolvimento sustentável partam da alta direção e dos gerentes seniores;
  • Incorporar os objetivos sustentabilidade aos critérios de contratação e remuneração de executivos é um caminho para reforçar o compromisso da empresa com as questões socioambientais;
  • É preciso engajar os colaboradores demonstrando como a sustentabilidade empresarial pode contribuir para criar valor para o negócio;
  • A alta direção pode relacionar metas de sustentabilidade às avaliações de desempenho e remuneração, estimulando o engajamento de colaboradores e melhores práticas;
  • Para que o desenvolvimento sustentável caminhe ao lado dos resultados comerciais do negócio é preciso que as metas de sustentabilidade façam parte das metas globais do negócio: suas metas financeiras, estratégicas, táticas e operacionais.
Incorporação da sustentabilidade a todas as funções.
  • Mesmo contando com equipes especializadas em sustentabilidade, o apoio de outras funções corporativas, tais como Marketing, Comunicação, P&D, Suprimentos, RH, entre outras, é essencial para a incorporação efetiva da sustentabilidade na empresa;
  • Mas não basta simplesmente distribuir novas metas às áreas, é preciso trabalhar por uma mudança de mentalidade através de treinamentos, campanhas internas, consultorias externas e interação com as principais partes interessadas da empresa;
  • A estruturação de conselhos de sustentabilidade, forças tarefa ou comitês de sustentabilidade ligados ao board (Conselho de Administração) são caminhos a serem pensados dentro da estrutura de governança das empresas.
Formação de parcerias.
  • Parcerias na cadeia de valor.

Quando empresas de uma mesma cadeia de valor combinam tecnologias e recursos para criar novas soluções para o mercado;

  • Parcerias setoriais.

Quando diversos líderes da indústria se unem para elevar os padrões atuais e enfrentar questões de interesse comum;

  • Parcerias com stakeholders.

Através de ações conjuntas com governos, organizações privadas e representantes da sociedade civil para o enfrentamento de grandes desafios.

Passo 5: Relato e Comunicação.

A comunicação corporativa e os relatos de sustentabilidade são estratégicos para uma abordagem empresarial orientada para o desenvolvimento sustentável.

No quinto passo do Guia dos ODS Para as Empresas as organizações são incentivadas a comunicar suas iniciativas socioambientais a seus stakeholders.

Empresas na vanguarda da sustentabilidade lançam mão de relatórios de sustentabilidade para prestar contas a suas partes interessadas, para a tomada de decisões internas, para atrair investidores, criar valor compartilhado e engajar colaboradores.

Um outro dado importante é que cerca de dois terços das políticas e iniciativas de relatórios de sustentabilidade pelo mundo são obrigatórias.

E ainda, uma pesquisa realizada pela KPMG em 2013 constatou que 93% das 250 maiores empresas do mundo relatam a sua performance em sustentabilidade.

Os relatórios de sustentabilidade podem ser independentes, mas as empresas podem recorrer a padrões internacionais reconhecidos, como os padrões da Global Reporting Initiative (GRI), para criar relatórios com um ingrediente adicional de credibilidade.

Ilustração de relatório de sustentabilidade
Os relatos de sustentabilidade conferem transparência às ações socioambientais da empresa.

Além disso, estabelecer canais de comunicação para destacar conteúdos extraídos dos relatórios de sustentabilidade pode ser estratégico para o negócio, reforçando suas estratégias para a criação de brand equity.

Assim, após o relatório de sustentabilidade ser publicado, alguns dados e informações que merecem destaque podem ser disseminados através de outros canais de comunicação, tais como:

  • Redes sociais;
  • Websites;
  • Rótulos de embalagens;
  • Canais de vídeos online;
  • E-mail marketing;
  • Revistas corporativas;
  • Notas de imprensa
  • Eventos, etc.
Alinhamento da comunicação com os ODS.

Alinhar os relatos de sustentabilidade com os ODS é uma forma de padronizar a comunicação e tornar o diálogo com as partes interessadas mais simples. Assim, ao desenvolver os seus relatórios, para cada um dos ODS relevantes a empresa poderá:

  • Descrever porque e como foram priorizados;
  • Listar os impactos significativos, positivos ou negativos, relacionados a eles;
  • Comunicar os resultados alcançados (ou não) em relação às suas metas;
  • Apresentar de que forma os impactos foram gerenciados e como a integração dos ODS relevantes foi realizada na cadeia de valor da empresa para o alcance de metas relacionadas.

A empresa que utiliza um relatório independente pode direcionar os leitores a seções específicas onde poderão encontrar informações sobre os ODS relevantes.

Caso utilize relatórios existentes, poderá integrar as informações relativas aos ODS relevantes através de recursos visuais, por exemplo: se utiliza os padrões de relatório GRI poderá incluir uma coluna no Índice de Conteúdo GRI, destacando quando há uma relação entre os tópicos GRI e os ODS, por exemplo.

Conclusão.

Ao incorporar os ODS às suas abordagens de gestão, as empresas tornam-se mais habilidosas para relacionar os seus objetivos de mercado a questões profundamente relevantes para a sociedade, o planeta e a economia, ao passo em que melhoram as suas práticas de governança e estratégias competitivas. 

Neste artigo eu apresentei os principais pontos de duas poderosas ferramentas que, juntas, podem guiar as empresas no processo de incorporação dos ODS à gestão global dos negócios.

A primeira, o Blueprint For Business Leadership on The SDGs – A Principles-Based Approach, com orientações sobre como desenvolver e pôr em prática 5 qualidades de liderança para lidar com os desafios dos ODS.

A segunda, o SDG Compass, um guia criado para orientar o processo de integração dos ODS nas estratégias e funções empresariais.

E então, que tal incluir os ODS nas estratégias da sua empresa? Pode ser apenas uma questão de dar o primeiro passo.

O que achou do artigo, ele foi útil para você? Me conte aqui nos comentários.

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