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Sustentabilidade Corporativa

ODS: O que São e Como Implantá-los na Empresa.

em
11/04/2022
Logomarca dos ODS.

Em setembro de 2015 a Organização das Nações Unidas lançou a Agenda 2030, um plano de ação global com 169 metas voltadas para o alcance de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). São eles:

  1. Erradicação da pobreza;
  2. Fome zero e agricultura sustentável;
  3. Saúde e bem-estar;
  4. Educação de qualidade;
  5. Igualdade de gênero;
  6. Água potável e saneamento;
  7. Energia limpa e acessível;
  8. Trabalho decente e crescimento econômico;
  9. Indústria, inovação e infraestrutura;
  10. Redução das desigualdades;
  11. Cidades e comunidades sustentáveis;
  12. Consumo e produção responsáveis;
  13. Ação contra a mudança global do clima;
  14. Vida na água;
  15. Vida terrestre;
  16. Paz, justiça e instituições eficazes;
  17. Parcerias e meios de implementação.

Com adesão dos 193 países-membros da ONU, os ODS foram criados para engajar governos, o setor privado e a sociedade civil por um mundo mais justo e sustentável, considerando que chegamos a um ponto de ruptura global com questões socioambientais alarmantes para essa e as futuras gerações, só para citar algumas:

Crise climática global, poluição, crise hídrica, degradação da biodiversidade, crise energética, extrema pobreza, direitos humanos e uma infinidade de temas que precisam ser confrontados para tornar o desenvolvimento sustentável possível.

E se, por um lado, a atividade empresarial dos últimos 150 anos está intimamente relacionada a esse estado atual de coisas, por outro, empresas com abordagens socioambientais responsáveis são atores essenciais para que possamos criar um mundo mais próspero e sustentável, já que possuem:

  • Controle sobre as cadeias de suprimentos globais;
  • Capacidade de investimento;
  • Espírito inovador;
  • Acesso a novas tecnologias.

Ao conectar seus interesses corporativos aos objetivos de desenvolvimento sustentável, as empresas também têm a oportunidade de aperfeiçoar suas práticas de governança, criar novos diferenciais competitivos, reduzir gastos e gerenciar melhor riscos relacionados aos negócios.

Por exemplo, a Business & Sustainable Development Commission 2017 projetou que incorporar os ODS às cadeias de produção e fornecimento globais poderá gerar, pelo menos, 12 trilhões de dólares em economias e receitas para as empresas e cerca de 380 milhões de novos empregos, até 2030.

Há, também, oportunidades que podem ser exploradas para o fortalecimento das marcas, à medida em que as diversas partes interessadas das organizações demonstram estarem cada vez mais atentas e sensíveis a práticas mais sustentáveis de produção, distribuição e consumo.

Em 2017, uma pesquisa realizada pela Unilever com a consultoria Europanel, dirigida a 20 mil adultos no Brasil, EUA, Índia, Reino Unido e Turquia constatou que um terço dos entrevistados realizavam compras considerando a responsabilidade socioambiental das empresas.

Na pesquisa, 85% dos brasileiros declararam sentirem-se melhor ao consumirem produtos sustentáveis.

Há evidências, também, de que questões socioambientais estão assumindo nuances aspiracionais entre as novas gerações:

Em 2019, a Consultoria Deloitte sondou 13.416 indivíduos da geração millennials (pessoas nascidas entre 1983 e 1994) e 3 mil da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010), a pesquisa intitulada Millennial Survey identificou que 52% dos indivíduos desses públicos possuía a aspiração de “causar impacto positivo no planeta”.

A pesquisa Google Consumer Survey Brazil 2019, realizada pelo Google Brasil com a geração Z também levantou dados nessa direção, ao constatar que 85% desses jovens pretende doar parte do seu tempo por uma causa:

  • 43% destacaram a preservação ambiental;
  • 20% desejam atuar pela diversidade;
  • 19% contra o racismo;
  • 11% pelo feminismo;
  • 11% para a desconstrução de estereótipos.

Ao serem questionados sobre sua definição de sucesso os respondentes destacaram: “trabalhar com causas sociais e ecológicas” (19% das respostas), ambição que ficou atrás apenas de “ter um negócio próprio”, com 33,2%.

O Guia dos ODS Para as Empresas.

A seguir, você vai aprender a colocar os negócios na trilha da sustentabilidade empresarial através dos ODS. Para isso, vamos recorrer a ferramenta SDG CompassO Guia dos ODS Para as Empresas, em sua versão em português – desenvolvida pela Global Reporting Initiative (GRI), pelo Pacto Global das Nações Unidas e Pelo Conselho de Negócios Mundiais Para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), um framework estruturado em 5 passos para guiar lideranças empresariais na incorporação dos ODS em suas organizações.

Passo 1 – Entendendo os ODS.

O primeiro passo do Guia dos ODS Para as Empresas introduz os 17 ODS e relaciona como incorporá-los nas estratégias de negócios pode contribuir para o desenvolvimento sustentável e, ao mesmo tempo, gerar benefícios para os negócios. Veja a seguir:

Painel com todos os 17 ODS: sua numeração, suas cores e respectivos temas socioambientais e de governança.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

1.1 – Identificando oportunidades de negócios futuras.

O amadurecimento da sustentabilidade tem demandado por soluções inovadoras relacionadas à crise energética, gestão de resíduos sólidos, emissões de gases de efeito estufa e incontáveis outros desafios ambientais globais.

Também são enormes as lacunas não atendidas por governos nas áreas de saúde, educação, habitação, finanças, transportes e muitas outras. Gargalos sociais que afetam a vida de bilhões de pessoas ao redor do planeta.

Bem, o fato é que todos os dias surgem novas demandas relacionadas aos desafios para o desenvolvimento sustentável e as empresas poderão prosperar criando e oferecendo, de maneira oportuna, produtos e serviços para atendê-las.

1.2 – Aumentando o valor da sustentabilidade corporativa.

Integrar a sustentabilidade à cadeia de valor das empresas gera resiliência em relação a novos mecanismos regulatórios que exigem práticas mais ecoeficientes e processos logísticos circulares aos mercados – uma tendência global.

Além disso, ao incorporar a sustentabilidade às suas estratégias, as empresas podem atuar para criar valor para elas próprias, por exemplo: expandindo suas operações para novos mercados, aumentando suas vendas ou gerando valor para as marcas.

Abordagens sustentáveis contribuem, também, para a atração e retenção de novos talentos, principalmente das novas gerações que demonstram uma maior identificação com marcas que geram impacto socioambiental positivo, como já vimos. Continue lendo.

1.3 – Fortalecendo as relações com outros atores e mantendo ritmo com os desenvolvimentos da política.

Além de clientes e acionistas, os ODS refletem as expectativas e demandas de diversas partes interessadas das empresas. Refletem, também, o futuro da política global, logo, ao apoiá-los as empresas terão a oportunidade de:

  • Gozar de mais credibilidade entre suas partes interessadas;
  • Diminuir riscos, incluindo riscos de reputação;
  • Fortalecer sua resiliência nos custos ou exigências de novas legislações.

1.4 – Estabilizando sociedades e mercados.

Empresas não podem obter êxito em sociedades que não prosperaram. Nesse sentido, conectar os ODS às estratégias corporativas retroalimenta os fundamentos para se obter sucesso nos negócios.

Imagine os efeitos sobre a sociedade e sobre os mercados quando cada vez mais empresas atuarem para preservar a capacidade regenerativa do planeta, se dedicarem a enfrentar as desigualdades, a pobreza, a discriminação ou agirem pela melhoria na educação de públicos vulneráveis?

1.5 – Utilizando uma linguagem comum e uma finalidade compartilhada.

Os ODS trazem uma estrutura comum de ação e linguagem que ajuda as empresas a se comunicar de maneira mais decisiva com suas partes interessadas sobre impactos e desempenhos alcançados, tornando as iniciativas compartilhadas com outras organizações e governos mais fáceis de serem realizadas.

Passo 2 – Definindo Prioridades.

No passo 2, os líderes de negócios têm orientações sobre como mapear áreas de alto impacto na cadeia de valor da empresa, selecionar indicadores e coletar dados, estabelecer os impactos socioambientais prioritários para que possam desenvolver planos de ação capazes de apoiar os ODS.

2.1 – Mapeando a cadeia de valor e identificando áreas de impacto.

Uma cadeia de valor compreende empresas exploradoras de matérias primas, logística de entrada e de saída, processos de produção, marketing, vendas e serviços pós-vendas.

Para realizar o mapeamento interno e externo das áreas de alto impacto socioambiental na cadeia de valor não é necessário analisar meticulosamente cada um dos 17 ODS em cada um dos elos da cadeia, mas, as áreas que podem causar os maiores impactos, positivos ou negativos, presentes ou potenciais, de forma realista.

Imagine uma fábrica de alimentos que terceirize uma grande frota de caminhões para distribuir seu mix de produtos para todo o Brasil.

Nesse caso, consideradas as emissões de CO² relacionadas ao modal rodoviário, poderíamos enquadrar a logística de saída de produtos como uma área de alto impacto negativo, que influencia diretamente o ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima.

Por outro lado, se a fábrica é capaz de retornar e reciclar internamente 70% dos vasilhames que produz, como latas de alumínio e outras embalagens, suas operações internas poderiam ser definidas como área de alto impacto positivo relacionada ao ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis.

Na etapa de mapeamento das áreas de alto impacto é preciso, também, levar em conta como a cadeia de valor afeta pessoas em situação de vulnerabilidade: se suas atividades ocorrem em regiões de baixa renda per capta ou não garantem direitos e padrões trabalhistas universais.

Além disso, o mapeamento de áreas de alto impacto deverá ser realizado com base nas avaliações dos principais stakeholders da empresa, mesmo quando for necessário oferecer algum apoio para que possam expressar os seus pontos de vista, por exemplo: em casos de grupos sociais marginalizados, como trabalhadores informais ou determinadas comunidades indígenas.

Ao realizar o mapeamento das áreas de alto impacto na cadeia de valor, as empresas passam a ter mais clareza não apenas dos impactos socioambientais que geram, mas também dos riscos e oportunidades que podem influenciar os seus resultados comerciais e institucionais.

2.2 – Selecionando indicadores e coletando dados.

Para cada uma das áreas de alto impacto, os líderes de negócios deverão definir um ou mais indicadores capazes de refletir a relação entre as atividades da empresa e impactos socioambientais.

Em outras palavras, através desses indicadores é possível acompanhar como as atividades empresariais afetam a economia, a sociedade e o meio ambiente, de forma mensurável.

No site ODS IBGE você encontrará uma ampla relação de indicadores para monitorar impactos ou usá-los como referência para criar os seus próprios indicadores.

No entanto, nem sempre será possível obter todos os dados para alimentar esses indicadores de forma direta pois, como já vimos, os impactos que ocorrem na cadeia de valor muitas vezes estão fora dos limites da empresa.

Em alguns casos será possível aproveitar sistemas existentes para extrair os dados, como através de sistemas comerciais de compras e vendas, em outros será preciso recorrer a outros métodos, como:

  • A criação de relatórios para a avaliação de processos externos;
  • Visitas de campo;
  • Pesquisas Focus Group, entre outros.

2.3 – Definindo os ODS prioritários.

Mapeadas as áreas de alto impacto e selecionados os indicadores de desempenho, a empresa deverá definir os seus ODS prioritários.

Priorizar é uma etapa crucial para o sucesso com os ODS, pois é comum que a quantidade de impactos mapeados supere a capacidade da empresa em gerenciá-los. Logo, é preciso foco para gerar resultados significativos com o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

Por exemplo, se na etapa de mapeamento forem identificadas 7 áreas de alto impacto e priorizadas 3, as outras 4 deverão, simplesmente, ser descartadas. Utilize, então, os critérios a seguir para apoiar a etapa de priorização dos ODS:

  • Observe a magnitude, gravidade e probabilidade dos impactos negativos, o nível de importância desses impactos para os principais stakeholders da empresa e oportunidades para reforçar a competitividade da empresa com eficiência de recursos;
  • Não deixe de considerar mudanças no ambiente externo da empresa, tais como novas regulamentações, escassez de recursos, gargalos na cadeia de suprimentos, pressão dos stakeholders e outros fatores capazes de transformar áreas de alto impacto negativo em custos ou riscos para o negócio;
  • A partir dos impactos positivos atuais ou potenciais sobre os ODS, avalie oportunidades estratégicas para a criação de vantagens competitivas para o negócio, por exemplo: entrada em novos mercados, o desenvolvimento de novos produtos ou serviços ou criação de brand equity.

Passo 3 – Estabelecendo Metas Para Apoiar os ODS.

Chegou a hora de estabelecer metas para apoiar os ODS prioritários definidos no passo 2 e colocar os negócios na direção do desenvolvimento sustentável.

3.1 – Definindo o escopo das metas e selecionando os KPIs.

Ao estabelecer metas, os líderes de negócios deverão relacionar KPIs (Key Performance Indicators) para acompanhar como suas abordagens de gestão estão apoiando cada ODS prioritário, de maneira mensurável e limitada no tempo, sempre com olhos nos riscos e oportunidades relacionadas a cada um deles.

3.2 – Definindo o padrão e selecionando o tipo de objetivo.

Agora, as lideranças deverão definir um padrão para cada objetivo relacionado aos ODS prioritários. Os padrões podem ser:

  • Um ponto no tempo específico.

Por exemplo, aumentar em 40% o número de mulheres em cargos de liderança até o final de 2023, com relação ao padrão alcançado no final de 2015.

  • Um período de tempo específico.

Por exemplo: reduzir as emissões médias de GEE (gases de efeito estufa) em 35% no período de 5 anos, de 2022 a 2026, em comparação às emissões médias em 2015-2019.

As lideranças deverão, também, definir qual será o tipo de meta a ser alcançada, elas podem ser:

  • Metas absolutas.

Esse tipo de meta contempla apenas o KPI, por exemplo: substituir 50% da frota de caminhões movida à gasolina e diesel por etanol, de 2022 a 2024.

  • Metas relativas (de intensidade).

Compara a KPI a uma unidade de produção, por exemplo: reduzir o uso de água por unidade produzida (de determinado produto) em 40%, de 2022 a 2026.

3.3 – Estabelecendo o nível de ambição.

O nível de ambição da empresa para o desenvolvimento sustentável é o tamanho da mudança que ela quer promover, e isso deverá guiar a definição de suas metas.

Estabelecer metas ambiciosas e de longo prazo ajuda a transformar a realidade presente e a engajar colaboradores, clientes e outras partes interessadas a partir de uma visão única do futuro em se quer chegar.  

No entanto, é crucial estabelecer, também, metas de curto e médio prazos para poder avaliar em tempo se a empresa segue na direção e ritmo certos.

Infográfico: a importância das metas de curto e longo prazo para sinalizar que a empresa está na direção e ritmo certos para alcançar suas metas de longo prazo.
Metas de curto e médio prazo sinalizam se a empresa está na direção e ritmo certos.

Além disso, uma tendência entre as empresas que lideram para a sustentabilidade é estabelecer suas metas a partir de um olhar “de fora para dentro”, em contraposição a alternativas mais tradicionais que consideram apenas dados históricos e atuais da empresa para a projeção de cenários futuros.

Uma abordagem “de fora para dentro”, como o nome sugere, mira no ambiente externo da empresa, em um contexto mais abrangente da sustentabilidade, por exemplo:

A cervejaria Ambev, que utiliza cerca de 90% de água na composição de suas cervejas, levantou que cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso consistente e seguro à água potável e que a maioria dessas pessoas vive no semiárido brasileiro.

Com base nesse dado, a empresa estabeleceu parcerias importantes com organizações que operam há décadas na região e desenvolveu um produto inovador para o mercado brasileiro, a água mineral AMA, cujo lucro de suas vendas é 100% canalizado para projetos de acesso à água potável.

O objetivo do projeto é impactar 12 regiões metropolitanas, 21 bacias hidrográficas e mais de 42 milhões de pessoas, conservando e recuperando fontes de água e rios nas principais regiões que sofrem com o estresse hídrico”.

Ao criar um negócio social com metas tão ambiciosas, a Ambev teve a oportunidade de conectar suas atividades comerciais a temas altamente relevantes para a sociedade, para o planeta e para a economia.

3.4 – Anunciando o compromisso com os ODS.

Tornar suas metas públicas contribui para ampliar o diálogo e cooperação com os stakeholders-chave da empresa.

Mas, ao aumentar o nível de transparência, a empresa deve ter em vista o risco de críticas e pressões externas caso não consiga alcançar metas estabelecidas. Isto só reforça a necessidade de uma comunicação corporativa consistente e pautada pela prestação de contas.

Passo 4 – Integração.

No passo 4 as lideranças são encorajadas a ancorar metas de sustentabilidade no negócio, incorporar a sustentabilidade em todas as funções da empresa e realizar ações conjuntas com redes de fornecedores, outras empresas, governos e organizações representantes da sociedade civil.

4.1 – Ancorando a sustentabilidade nos negócios.

  • É essencial que os exemplos de integração entre os objetivos comerciais da empresa e objetivos para o desenvolvimento sustentável partam da alta direção e dos gerentes sêniores;
  • Incorporar objetivos sustentabilidade aos critérios de contratação e remuneração de executivos é um caminho para reforçar o compromisso da empresa com as questões socioambientais;
  • É preciso engajar e capacitar colaboradores, demonstrando como a sustentabilidade empresarial pode contribuir para criar valor para o negócio;
  • A alta direção pode relacionar metas de sustentabilidade às avaliações de desempenho e remuneração, estimulando o engajamento de colaboradores e melhores práticas para os ODS;
  • Para que o desenvolvimento sustentável caminhe ao lado dos resultados comerciais do negócio é preciso que as metas de sustentabilidade estejam conectadas às metas globais do negócio: metas financeiras, estratégicas, táticas…

4.2 – Incorporando a sustentabilidade em todas as funções da empresa.

  • Não pense na sustentabilidade como mais uma caixinha do organograma. Ao invés disso, procure enxergá-la como um direcionador para a tomada de decisão. E, por isso, suas premissas devem estar enraizadas em todas as áreas e funções das empresa.
  • Por isso, não basta distribuir novas metas às áreas, é preciso trabalhar por uma mudança de mentalidade através de treinamentos, campanhas internas, consultorias externas e interação com as principais partes interessadas da empresa;
  • A estruturação de conselhos de sustentabilidade, forças tarefa ou comitês de sustentabilidade ligados ao board (Conselho de Administração) são caminhos a serem pensados dentro da estrutura de governança das empresas.

4.3 – Formação de parcerias.

A formação de parcerias pode conferir tração para a consolidação dos ODS nos negócios. Elas podem ocorrer de três maneiras:

  • Na cadeia de valor.

Quando empresas de uma mesma cadeia de valor combinam suas tecnologias e recursos para criar novas soluções para aquele mercado;

  • Parcerias setoriais.

Quando diversos líderes da indústria se unem para elevar os padrões atuais e enfrentar questões de interesse comum;

  • Parcerias com stakeholders.

Por exemplo, através de ações conjuntas com governos, outras empresas ou comunidades para o enfrentamento de grandes desafios.

Passo 5 – Relato e Comunicação.

No quinto e último passo do Guia dos ODS Para as Empresas, os líderes de negócios são incentivados a comunicar suas iniciativas e impactos socioambientais gerados.

5.1 – Relatório e comunicação efetivos.

Empresas na vanguarda da sustentabilidade relatam suas iniciativas de sustentabilidade para prestar contas às suas partes interessadas, para a tomada de decisões internas, para atrair investidores, criar valor para o negócio e engajar colaboradores – reafirmando o seu compromisso com a transparência.

5.2 – Alinhamento da comunicação com os ODS.

Alinhar os relatos de sustentabilidade com os ODS é uma forma de padronizar a comunicação e tornar mais simples o diálogo com stakeholders. Para isso, em relação a cada ODS priorizado, a empresa deverá:

  • Apresentar o porquê e como foram priorizados;
  • Listar os impactos significativos, positivos ou negativos, relacionados a eles;
  • Comunicar os resultados alcançados (ou não) em relação às metas;
  • Apresentar de que forma os impactos foram gerenciados e como a integração dos ODS prioritários foi realizada na cadeia de valor da empresa para o alcance de metas relacionadas.

A empresa que desenvolve relatórios independentes pode direcionar os leitores para seções específicas onde poderão encontrar informações sobre os ODS prioritários.

Se utilizar frameworks existentes, é possível integrar as informações sobre os ODS com recursos visuais, por exemplo: se seguir os padrões GRI, pode incluir uma coluna no Índice de Conteúdo GRI destacando quando há relação entre os tópicos GRI e os ODS.

Conclusão.

Ao apoiar os ODS, as empresas têm a oportunidade de conectar seus interesses corporativos a questões profundamente relevantes para a sociedade, para o planeta, para a economia e, ao mesmo tempo, melhorar sua governança, aumentar sua resiliência a riscos e desenvolver novos diferenciais competitivos. 

Nesse artigo, você conheceu os 5 passos do Guia dos ODS Para as Empresas, um guia mão na massa para colocar os negócios na trilha do desenvolvimento sustentável com os 17 ODS das Nações Unidas.

Agora você já sabe, na hora de incorporar a sustentabilidade aos negócios, não precisa reinventar a roda. Comece com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

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